TEUS UMBRAIS ( © Patrícia Evans)
.
Umbrais do teu sorriso
ultrapasso nada incólume,
que teu sorriso é arma,
que me arranca pedaços
com cinismo sórdido.
Umbrais do teu sorriso
ultrapasso nada incólume,
que teu sorriso é arma,
que me arranca pedaços
com cinismo sórdido.
Lanço mão da lança metálica
que é tua própria ilicitude,
baixeza que teu peito abriga...
Ah! que esta lança é fria,
como fria, a tua veia que não pulsa.
Mas escudo desencantado
nada protege, nada impede
e neste campo serenado,
em noite de névoa, eu que quede
meu corpo, diante de teu pedestal.
‘Inda que eu tente tudo,
nada é capaz de atingir
este teu ego brutal.
E mais que avance este umbral,
mais quero adentrar-te e não posso.
Vício que me mata aos poucos;
eu cada vez mais frágil,
tu cada vez mais louco!
Tu, me cegando as razões,
como cegam a fé e o salmo.
E sábio, preparas tua ceia:
eu morrendo aos teus pés,
tu carregando meu escalpo
dentre as sepulturas de mim mesma.
.
YOUR THRESHOLD
( © Patrícia Evans)
.
Your smile is a threshold
that I can cross unharmed
only to discover your smile is a weapon
slicing me to pieces
with sordid cynicism.
I grab the metalic lance
which is your own baseness,
a vileness sheltered in your chest . . .
Oh! the lance is like ice
so cold that your veins have no pulse
But with a disenchanted shield
that protects nothing, impedes nothing,
in this misty field
on a foggy night, I´ll bow
my body before your pedestal!
trying everything
yet nothing can touch
your brutal ego
And the more I cross this threshold,
the more I want to cross you, but I can' t!
A viciousness kills me litlle by little
I -- each time a little weaker
You -- each time a little more insane
You -- blinding me to the reason
the way we are blinded by faith and psalms
and you, so powerfully wise, prepare your supper
I -- dying again at your feet
You -- carrying my scalp
across the sepulcher of myself.
.
.
0 comentários:
Postar um comentário