I KNOW IT'S NOT SO
About Patricia Evans' poetry
"Although I have spent time with Patrícia Evans on three separate occasions, I feel I know Patrícia Evans only through her poetry. She hides nothing, she surrenders everything. It is some of the most powerful poetry I have ever read. And I have read only English translations of her poems, so those who read her in her native Portuguese will experience her even more intimately. They should prepare themselves for imagery, anger, compassion, despair, humor, insight, knowledge of her self and the deepest love for those she loves, especially dad."
Robert E. Sheridan
Mr. Sheridan had been an editor for the New York Times for 32 years. He is also a poet, and a father.
Mr. Sheridan's blog: http://www.coffeedrome.com/
Robert E. Sheridan
Mr. Sheridan had been an editor for the New York Times for 32 years. He is also a poet, and a father.
Mr. Sheridan's blog: http://www.coffeedrome.com/
PATRÍCIA EVANS
Twitter: @TiciaEvans - Email: TiciaEvans@gmail.com
19 de fev. de 2021
A PAIXÃO QUE NOS MOVE
( © Patrícia Evans)
– Boa tarde.
– ...
– Tenho observado você parada...faz tempo...é...posso tirar as teias?
– Hum, hum...
– Agora está melhor. Espera algum trem?
– O que vem de Londres.
– Cof! Cof! Que poeira! Se incomodaria se eu a umidecesse? Sou alérgico a poeira. Cof! Que poeira!
– A água está gelada?
– Não... temperatura ambiente.
– Então pode.
– Pode levantar o braço, por favor? Por debaixo dos braços tem sempre muito acúmulo de pó. Ah, obrigado. Eu espero o trem pra Rio de Janeiro. Quero conhecer a cidade grande...todos os arranha-céus e as ruas engarrafadas, os semáforos, já viu algum? Ah, e o Municipal, que beleza, ein? Tanto ouço das belezas naturais, suas praias, suas serras...Vou passar um sabãozinho em seu pescoço, está bem assim? Como será que se vestem as pessoas por lá? O que será que comem? Dizem que os cariocas são muito amigáveis. Haha. Fico imaginando o samba, o chopp na orla, o futebol depois do trabalho... Esse lugar ficou pequeno pra mim, sabe? Como se a minha paixão fosse grande demais que só coubesse numa cidade que fosse passional como eu. Você acha que a minha borboleta está de acordo? A gravata borboleta não tem mais uma função prática, já pensou nisso? Oh, aí vem a polícia. Você tem documentos?
– No bolso esquerdo.
– Se ele pedir eu dou. A vida inteira eu esperei que alguma coisa grandiosa acontecesse por aqui. Não dá. Nada há de acontecer, por isso, estou indo. Quero poder, a fama, a glória, quero me apaixonar. Sou artista, já lhe disse? Autor teatral. Conhece esse creme dental? Mandei vir de fora, claro. Mostre-me os dentes para que possa escová-los. Tenho uma peça teatral aqui comigo, quer folhear? Vou desgrudar as suas mãos. Força! Hum. Quero fortuna também. Mas virá com o tempo. Níquel por níquel. Onde encontrar tudo isso aqui? Então você me pergunta: "E onde encontrar isso tudo no Rio de Janeiro?" Ah! Cuspa a água fora agora. Olha, talvez nem encontre, mas é a certeza de haver nada disso aqui contra a expectativa de haver por lá. Oh, lá vem o meu trem! Eu escreverei, não tenha duvidas!
– ...
– A propósito! Nenhum trem virá de Londreeeeeeessssss!
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