
ESTE ESPECTRO DO AMOR NÃO VIVIDO
(© PATRÍCIA EVANS)
.
Um espectro, fluindo iluminado, vagueia
entre parcas sombras, que se projetam
nestas pedras onde, altiva, a lua cheia
e sua palidez, na superfície se quebram.
É tão claro, que de imediato o reconheço;
este furioso desejo a me ter acovardado,
controle d’alma mortiço e enlouqueço,
não fosse pudesse este grito, eu ter dado.
E com rosto duro de morte - sabia!
Havíeis de me cobrar cedo ou tarde
vosso aparte, que no acaso cabia,
por mim calado, para que não ousasse.
Crispo meus dedos e meus olhos cerram
na esperança, que mingue esta lua vadia,
em cuja face as lembranças se espelham
e cuja luz roubada este fantasma irradia.
Não há arma para guerra de vontades.
A que me esquivando de vossa espada,
recusar a dor não me impede a agonia...
Em deserto a noite é inevitavelmente fria!
A névoa permitindo vossos mil disfarces
e a vitória oportuna nunca sendo galgada,
que de manhã, de minhas próprias cinzas,
me cravais de novo a impiedosa espada.
E se não se vence o que está morto-vivo,
não se acorrenta o maldito deus destino,
resta-me a sensatez de um breve desatino
a viver-vos, para que sejais esquecido.
(© PATRÍCIA EVANS)
.
Um espectro, fluindo iluminado, vagueia
entre parcas sombras, que se projetam
nestas pedras onde, altiva, a lua cheia
e sua palidez, na superfície se quebram.
É tão claro, que de imediato o reconheço;
este furioso desejo a me ter acovardado,
controle d’alma mortiço e enlouqueço,
não fosse pudesse este grito, eu ter dado.
E com rosto duro de morte - sabia!
Havíeis de me cobrar cedo ou tarde
vosso aparte, que no acaso cabia,
por mim calado, para que não ousasse.
Crispo meus dedos e meus olhos cerram
na esperança, que mingue esta lua vadia,
em cuja face as lembranças se espelham
e cuja luz roubada este fantasma irradia.
Não há arma para guerra de vontades.
A que me esquivando de vossa espada,
recusar a dor não me impede a agonia...
Em deserto a noite é inevitavelmente fria!
A névoa permitindo vossos mil disfarces
e a vitória oportuna nunca sendo galgada,
que de manhã, de minhas próprias cinzas,
me cravais de novo a impiedosa espada.
E se não se vence o que está morto-vivo,
não se acorrenta o maldito deus destino,
resta-me a sensatez de um breve desatino
a viver-vos, para que sejais esquecido.
.
5 comentários:
Olá, Patricia
Achei seu link na página de um amigo e amei suas palavras.
Talvez só porque sejamos xarás, talvez porque às vezes a gente vê escritas por outra as coisas que não escreveu.
De qualquer forma, obrigada.
Valeu!
Oieeee! Que lindo nome o seu - hahahahaha. Muito obrigada pela curiosidade, interesse e mais ainda pelo carinho. Seja bem-vinda,
beijos,
Pat.
Que coisa linda, Pat. Alguns momentos lembram os decassílabos e unidecassílabos nordestinos de origem medieval. Mais sobre isso aqui:
http://violasertaneja.sites.uol.com.br/repente.htm
Sou viciado em martelo agalopado. Smacks!
Gostei do seu blog. Abraços
Fábio, seja bem-vindo. Obrigada pelo carinho,
Pat.
Postar um comentário