ÓPIO
(© Patrícia Evans)
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Cadáveres lançados
em imenso mar de esgoto,
exalam putrefato gás,
deixando ar pesado, roto;
um mendigo, não pedinte,
mas aquele que implora
pela mentira que o ópio traz.
Ore, que o mentiroso se entrega...
Reza!
Amontoam-se perto da margem.
Alguns afundam no lodo,
alguns não se desfazem
_ múmias que cederão ao mofo,
enquanto suas almas gemem
no purgatório sacro-santo,
até que seus pecados queimem
ou que seus insuportáveis prantos
sejam ouvidos por nós.
Pós!
Não pisaremos pó podre
de leproso em agonia
_ aquele que nunca soube
(a lepra foi acreditar que podia).
Nunca pôde!
E agora quem esnoba quem?
Morto não tem saída ou escolha;
está pelo lodo à toa.
Ar! fuma seu desejado ópio,
que não há cadáver que vença.
Só os vivos provocam ódio
e o contrário do amor, pensa!
é esta minha indiferença.
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Um comentário:
Arrasouuuu!!
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