"BABUSKAS"
( © Patrícia Evans)
.
Nunca visitei a Holanda,
nem sei pra que lado fica,
que sou péssima em geografia,
mas acho que são de lá
os tamancos de bico engraçado
e as bonecas que se escondem
uma dentro da outra e dentro da outra
e dentro da outra e dentro da outra
até que uma menor,
quase invisível aos olhos,
balança feito João Bobo
nas garras afiadas
da minha gata vira-latas.
Nunca visitei a Holanda,
nem sei pra que lado fica,
que sou péssima em geografia,
mas acho que são de lá
os tamancos de bico engraçado
e as bonecas que se escondem
uma dentro da outra e dentro da outra
e dentro da outra e dentro da outra
até que uma menor,
quase invisível aos olhos,
balança feito João Bobo
nas garras afiadas
da minha gata vira-latas.
.
Eu não conheço a Holanda
e acho que as bonecas são russas,
mas sei o que são pés apertados
em sapatos de bicos de graça indizível,
sei o que é garra afiada de gato
e sei o que é ser invisível.
.
Eu não conheço a Holanda
e acho que as bonecas são russas,
mas sei o que são pés apertados
em sapatos de bicos de graça indizível,
sei o que é garra afiada de gato
e sei o que é ser invisível.
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"BABUSKAS"
( © Patrícia Evans)
I’ve never visited Holland,
nor do I know which way it lies,
for I am terrible at geography,
but I think that’s where they come from—
those clogs with the funny-shaped toes
and the dolls that hide
one inside the other and inside the other
and inside the other and inside the other
until a tiny one,
almost invisible to the eye,
wobbles like a roly-poly toy
in the sharp claws
of my stray cat.
I don’t know Holland
and I think the dolls are Russian,
but I know what it’s like to have feet squeezed
into shoes with toes of indescribable shape,
I know what a cat’s sharp claw is like,
and I know what it is to be invisible.
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