I KNOW IT'S NOT SO

About Patricia Evans' poetry

"Although I have spent time with Patrícia Evans on three separate occasions, I feel I know Patrícia Evans only through her poetry. She hides nothing, she surrenders everything. It is some of the most powerful poetry I have ever read. And I have read only English translations of her poems, so those who read her in her native Portuguese will experience her even more intimately. They should prepare themselves for imagery, anger, compassion, despair, humor, insight, knowledge of her self and the deepest love for those she loves, especially dad."

Robert E. Sheridan


Mr. Sheridan had been an editor for the New York Times for 32 years. He is also a poet, and a father.


Mr. Sheridan's blog:
http://www.coffeedrome.com/


PATRÍCIA EVANS

Twitter: @TiciaEvans - Email: TiciaEvans@gmail.com

26 de ago. de 2007

ROMÂNTICOS

ROMÂNTICOS
( © Patrícia Evans)
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Mossoró, que não sei se é com cedilha ou com dois esses, apareceu não sei porque e nem em que hora exata, mas quando dei por mim, estava sentado em nossa mesa, contando as suas aventuras por 22 Estados brasileiros, que ele conheceu em cima de sua bicicleta cheia de parafernália e que carrega a bandeira do Brasil. O nome dele é Hagamenon, com agá, mas o apelido é este cuja ortografia não sei a correta, porque nasceu em cidade de mesmo nome. Hagá, não sabe ler ou escrever, sabe apenas algumas palavras que decorou, por causa das placas que copia por onde viaja. Dentes, acho que tem uns quatro, eu tentei contar, mas não deu. Uma pele assim, escura feito chocolate amargo, um cabelo duro, puxado pra trás, sem penteado, esculhambado, uma barriguinha pra frente, nem magro, nem gordo e baixo, muito baixo. Tem o sotaque arretado do povo do norte, oito cadernos daqueles espirais, médios, com folhas caindo e a capa dura já mole de tanto ser mexido, mostrado, xeretado e dúzias de álbuns de fotos de lugares inacreditavelmente belos, com um povo de uma beleza simples e natural, que devia estar em passarela e capa da Vogue, mas que passa necessidade, às vezes miséria. Entretanto, todos, sem exceção, sorrindo sempre; carões estampados nas fotos, muito grudados uns nos outros, muita falta de dente nos sorrisos, mas sempre satisfeitos, afinal, posar ao lado de tão ilustre andarilho, que Hagá é conhecido nacionalmente, não é uma oportunidade a ser desperdiçada. Eu queria e Hagá até tentou, mas não deu pra fazer parte do seu álbum de recortes, porque a máquina até tinha filme, mas não tinha pilha.

Então é isso; eu, Andréa e Aziz sentados num quiosque da praia de Copacabana, quase Leme, comendo espetinho de frango e X-Tudo, que tem quase nada, eles bebendo cerveja em copos de plástico e eu rum barcardi com coca diet, sem gelo e limão, em copo de vidro, que o moço do quiosque, que tem todos os dentes e uma argola em cada orelha, não tem mais que um único copo de vidro pra oferecer e eu fui a sorteada. Conversamos sobre nossos momentos mais românticos e Andréa diz que foi quando Alexandre, seu ex namorado, se despencou pra outra cidade pra encontrar com ela de surpresa, eu digo que foi quando adormeci de cansaço no colo do Francisco e acordei com a pequena e fraca luz de sua lanterninha de bolso em meu rosto, enquanto ele decorava meus traços e meus detalhes e Aziz, diz que não conta porque é tímido.

... A timidez não deveria nos impedir de compartilhar experiências bonitas com a humanidade.

É quando passamos para os momentos mais catastróficos, aqueles em que programamos todos os detalhes e tudo sai diferente do programado, quando estamos começando a contar como tudo se degringolou, que Hagamenon surge vindo do nada e do lugar algum e nunca mais para de falar. Agora Mossoró, ou Moçoró, ou Hagamenon, que é seu nome, é nosso mais novo amigo de infância e divide conosco, o cigarro, a cerveja, aquele drink esquisito que eu tomo e também nossas histórias, casos, causos, problemas e a sua sabedoria, que é maior que a minha e com certeza também é maior que a de Andréa e Aziz. Hoje, até uma hora da madrugada, eu não sabia muita coisa, que era imprescindível que eu soubesse. Eu não sabia por exemplo, que eu não devo ficar sentida porque meu amor inesquecível durou apenas quatro dias, mas que eu devo ficar animada com a expectativa do próximo que vai durar oito. Eu não sabia que despedida é sempre despedida, porque qualquer despedida pode ou não pode ser a última e nem que existem 31 tipos de corno. Também desconhecia que o Rio de Janeiro é a única cidade onde as mulheres põem biquinis pequenos, não importa quanto pesem e desfilam sempre graciosas, não importa o quanto sejam e que em Roraima palavra é contrato assinado, que se quebrado sentencia morte. Uma coisa eu já ouvira falar, disse-me Hagá, que dinheiro não faz ninguém mais feliz, mas que dívida pode fazer muita gente infeliz.

Hagá não tem dinheiro e não deve a ninguém, dorme em postos de gasolina ou em de polícia rodoviária, tem uma mulher em cada lugar que passou, uma filha chamada Adriana, que ele chama de "minha princesa" , vai passar o reveillon na praia e vai me telefonar pra eu reservar uma mesa com ele, porque ele garante, cuspindo pelo buraco dos dentes que não tem, que vai ser bom demais e muito barato. Mossoró vai continuar viagem depois do reveillon e eu provavelmente nunca mais o verei.
Eu não sei qual foi o momento mais romântico da vida do Aziz, porque ele é tímido e sua timidez o impede de colorir nossas vidas ainda mais com a ciência de um momento lindo que ele viveu , mas eu sei que de vez em quando, Deus manda um anjo, assim do nada, de lugar algum, pra nos dizer que mais vale a vida vivida na expectativa que o melhor ainda está por vir, que na tristeza pelo bom que se foi.



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Um comentário:

Fé e Coragem disse...

ola eu sou diego mariano da silva tenho 17 anos e meu pai foi sibora já faz muito tempo ele se chama agamenon mariano da silva conhecido em todo canto como mossoró eu gostaria muito de ter noticias dele se possivel meu orkut é
diegomariano12@yahoo.com.br
e msn
diego_mariano@hotmai.com