.
DOS SEUS DIAS E NOITES
( © Patrícia Evans)
.
Poeteiras quando sonham alto,
punheteiras quando o sonho acaba.
Irritadas, abaladas, feridas e debochadas nos dias.
Solitárias, transcendentes, e esgotadas nas noites.
Poeteiras quando trepam
trepadeiras quando versam.
E entre fodas vazias, punhetas tardias, trepadas afoitas
_de poemas abarrotadas_
engravidam as madrugadas.
.
.
2 comentários:
Poetizando e punhetando.. hahah...
Show!!! Nem sei mais o que dizer.. são todos maravilhosos! Estou adorando esse estilo despudorado de escrever .. e sem perder a elegância!!!
Beijos,
Rê!
Não pode haver pudor na emoção!
Sabe Adélia Prado? Uma das maiores poetisas brasileiras? Pois bem, essa senhora, nascida em 1935,Minas Gerais, dentre outros belíssimos textos e poemas escreveu:
OBJETO DE AMAR
ADÉLIA PRADO
De tal ordem é e tão precioso
o que devo dizer-lhes
que não posso guardá-lo
sem que me oprima a sensação de um roubo:
cu é lindo!
Fazei o que puderdes com esta dádiva.
Quanto a mim dou graças
pelo que agora sei
e, mais que perdôo, eu amo.
***************************
Entende isso? A senhora Adélia teve uma experiência com sexo anal, gostou e resolveu ser urgente participar ao mundo, que tal modalidade sexual era maravilhosa e assim o fez. Pode imaginar o mesmo poema dizendo "ânus é lindo!" ? Teria o mesmo impacto emocional? Ela NÃO DEU O ÂNUS, ELA DEU O CU! Ela sentiu estar dando o CU!!!!!! Por que Adélia deveria ter pudor de mencionar a palavra "cu", se a mensagem que quer passar é que agora, mais que perdoar a si mesmo ela ama, porque DEU O CU????????!!!!!!!!!
Este é apenas um exemplo do porquê não pode haver pudor na emoção. Se o poeta procurar palavras que não sejam despudoradas, para Descrever uma emoção sem pudor que foi sentida, ele não conseguirá dizer o que de fato experimentou.
Óbvio, que nem todas as emoções são despudoradas e, por isso, tanto eu, quanto Adélia, Nelson, Drummond, Bocage, Bukowski, etc. etc. temos textos e poemas cheios de pudor. O que estou tentando dizer é que quando a experiência é despudorada, ou o poeta a conta como é de fato ou o eufemismo (a censura) vai impedir a mensagem. Se não há nada de verdadeiro para dizer, que o poeta não o diga.
Postar um comentário