À FLOR DA PAIXÃO. (© Patrícia Evans)
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Emparelhados, olhos vendados,
aceitam e apuram outros sentidos
- os que têm mentido quando não fechados -
(Os olhos do medo só enxergam tapados)
E nos sentidos medrosos
a vida é explosão de arrepios;
amor, paixão, morte, sexo,
fantasia, agonia, a alforria d'alma.
Estão vendados, não mudos, não surdos
O medo do medo - o espelho convexo
dos olhos que se mantêm abertos;
tudo que é puro é torto reflexo.
Emparelhados, olhos vendados
esperam o ato da misericórdia
com a coragem de quem sente medo.
(Esses são os homens que não têm mentido)
Que o sentido está nos que provocam arrepio
- a alforria d'alma que vai levá-los ao muro
e à rajada imprudente a sangue frio -
(Os que apuram os sentidos, são os que correm risco)
Vendados - não cegos, não surdos, não mudos,
os homens, que esvaziam a razão de existir o muro,
diante da espera do puxar do gatilho,
Dão-nos, por benção, o rumo e sentido preciso
Que na espera ainda assumem o calafrio
- SABER DO RISCO E NÃO TER MEDO DE TEMER O TIRO!
Esses (e só esses) são os homens que têm sentido.
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